Mecanismos de Defesa: Definição segundo a Psicanálise

Os mecanismos de defesa, de acordo com a teoria psicanalítica, são processos inconscientes que permitem à mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos no nível da consciência. Entenda tudo sobre eles a seguir.

A raiz dos mecanismos de defesa são as angústias. Quanto mais aflito e angustiado se encontra o sujeito, mais fará uso dos seus mecanismos de defesa.

Entretanto, nem sempre somos capazes de resolver as angústias de maneira consciente, madura, sábia e consequentemente saudável. Isso porque, quando os problemas são nossos, encontram-se envolvidos com a nossa emoção, o que nos impede de uma visão distanciada dos fatos que traria como consequência uma resolução clara, direta e objetiva.

Assim sendo, resolvemos as nossas angústias de forma indireta e tortuosa, buscando um ajustamento entre nós e a sociedade. A tais processos de adaptação chamamos de mecanismos de defesa. Os mecanismos mais comuns são: Projeção, Sublimação, Repressão, Regressão e Formação Reativa, os quais são descritos a seguir.

Regressão dos Mecanismos de defesa

Escapar da realidade é uma das maneiras de escapar da ansiedade e podemos chamar isso de mecanismos de defesa. Assim sendo, quando estamos insatisfeitos com a vida na qual estamos inseridos, tentamos resolver a situação retornando a uma fase, na qual fomos felizes, através de comportamentos: infantis, juvenis, ou pretérito de qualquer ordem.

Esse é um mecanismo de defesa primitivo e como todo mecanismo reduz a tensão, mas não soluciona o conflito.

Exemplos:

  • Alguns de nós enrolam o cabelo entre os dedos
  • Chupar o dedo
  • Falar com voz infantil
  • Segurar o lençol com força como fazia quando era uma “criança medrosa”
  • Se vestir como adolescente, ou seja, retroceder a uma fase agradável da vida

Projeção como um dos Mecanismos de Defesa

Trata-se de um mecanismo de defesa em que o ego, a fim de evitar a autodesvalorização que pode surgir da reprovação social, rechaça conteúdos que são nossos, mas que não os reconhecemos como tal, uma vez que, é muito mais confortável atribuí-lo ao outra pessoa, fato ou coisa.

Exemplos:

  • Quando atribuímos que um acidente aconteceu na noite passada por ter sido esta uma noite de sexta-feira 13. Ou que tivemos azar no jogo por termos passado debaixo de uma escada.
  • Também, quando o estudante põe a culpa de seu mau desempenho na prova ou no professor. No marido que traiu a esposa porque a mulher o seduziu. Na criança que explica que brigou com a outra porque esta a provocou. No colaborador que justifica não ter “batido a meta” porque não teve tempo.
  • “Foi Deus quem quis assim,,,”, “É a vontade de Deus,,,”, “É a vida…”, neste momento estamos negando a Lei de Causa e Efeito, a existência da ação e reação que nos leva a entender que a realidade à nossa frente é um resultado das nossas escolhas e atos e não algo que ocorre aleatoriamente impulsionado por uma força superior.

Repressão

Refere-se à nossa tentativa de fazer desaparecer da mente, da consciência os impulsos, as ideias e os sentimentos vistos como indesejáveis. Freud considerava essa uma das defesas mais comuns.

Exemplos:

  • Quando não nos damos conta de que estamos com ciúmes, mesmo que isto possa ser evidente na nossa fisionomia e reações.
  • Algumas doenças psicossomáticas podem estar relacionadas com a repressão.

Nós negamos os impulsos e os sentimentos, não porque temos a intenção de enganar ao outro, nós negamos porque não temos, de fato, consciência da sua existência.

Formação Reativa

É um mecanismo que ocorre quando experimentamos um desejo ao mesmo tempo: instintivo e rejeitável. Isso o leva a desenvolver um impulso contrário ao que ele rejeita.

Exemplos:

  • Um filho não concorda com o jeito de ser da sua mãe – manipuladora. Ela o castra por meio da manipulação. O filho a odeia por causa disto, mas não é fácil para ele, como filho, admitir que odeia a mãe. Desse modo, desenvolve um comportamento reativo. Deixa a sua vida de lado, para cuidar da mãe. É claro que este, como tantos outros mecanismos de defesa é inconsciente.
  • Superproteção aos filhos, que ocorre porque no fundo mãe guarda ressentimentos em relação ao filho.

Compensação como um dos Mecanismos de Defesa

Esse mecanismo de defesa caracteriza-se pela nossa tentativa de equilibrar os “pratos de uma balança”. Em ambos os pratos estão as nossas qualidades, em um as positivas, no outro as negativas.

Exemplos:

  • Assim, o filho que não tem boas notas na escola se consola por ser o filho mais dedicado aos pais e solicitado por eles.

Expiação

Quando infringimos a nós mesmos um padecimento: físico, emocional ou social a fim de “pagarmos” algum pensamento ou ação que consideramos inaceitável.

Exemplos:

  • Quando uma pessoa tem uma postura ruim no trabalho a fim de ser despedida, como forma inconsciente de expiar, de pagar, de se castigar por algo errado que cometeu.

Racionalização

Quando a fim de mantermos a nossa boa imagem frente ao outro e, a nós mesmos, temos sempre às mãos explicações plausíveis sobre os nossos erros, limitações e impulsos. A esta postura de justificativa, diante dos fatos, dá-se o nome de Racionalização.

Exemplo:

  • A esposa decide deixar o marido e ele acredita, piamente, que ela o abandonou, porque “virou a cabeça” após entrar na faculdade, começar a ler tal revista, tal blog ou andar com tal pessoa…

Sublimação

A sublimação é um mecanismo de defesa contra as pulsões e é equacional à própria pulsão. A defesa ocorre durante o recalque que resultará na sublimação. Assim sendo, sem a defesa a sublimação não poderá existir.

Portanto a sublimação propicia a chance de o sujeito atingir certo grau de satisfação por meio dos seus objetos de satisfação e pode ser considerada um alívio para a pulsão.

Na sublimação a energia libidinal é desviada de suas metas originais para outras mais aceitas socialmente como: pintar, tocar, fazer trabalhos sociais, estudar, criar os filhos, etc.

A sublimação, segundo Freud, é um mecanismo de defesa útil para a sociedade, constituindo um bem social. Uma vez que, a maior parte das grandes personalidades e feitos históricos humana só foram possíveis graças à sublimação.

Exemplo:

  • Guilherme, um simpático e jovem professor, filho de uma distinta família numa determinada cidade, é homossexual e sabe ele que caso venha a assumir sua identidade, seu ambiente social, não o acolherá como sempre o fez. Assim sendo, Guilherme decide se casar com uma grande amiga, também mergulhada na carreira…

Deslocamento

Refere-se àqueles momentos nos quais deslocamos a nossa agressividade às figuras que, aos nossos olhos, são menos ameaçadoras.

Exemplo:

  • O chefe nos trata mal, nós não respondemos ao chefe, mas ao chegarmos em casa gritamos com: a nossa esposa, ou marido, ou filho, ou cachorro…

Transferência

A transferência é a repetição de uma relação objetal passada, fenômeno imprescindível para o processo analítico, pois indica o norte a ser tomado. Sem ela não há análise. É ela quem revela e atualiza: a constituição, a demanda, o desejo e a estrutura do sujeito.

Seja no palco da vida ou no setting psicanalítico, nós ou o analisando, transferimos para o cônjuge, professores e demais, sentimentos e emoções que pertencem a uma relação pretérita vivida ou deixada de viver. Transferindo revivemos a relação e a recriamos.

Podemos observar a projeção na relação: médico-paciente, psicólogo-paciente, pastor-ovelha, entre os cônjuges, outros…

Exemplos:

  • O paciente enamorar-se do psicanalista.
  • Nos apaixonarmos por alguém que tem as mesmas qualidades que os nossos pais tinham ou que esperávamos que tivessem.

Identificação

É um mecanismo que geralmente não é defensivo, faz com que nos sintamos acolhidos por outra pessoa ou grupo: a igreja, a faculdade, o time de futebol.

Se somos garotos queremos ser iguais ao nosso pai; se somos garotas queremos ser iguais a nossa mãe. E assim brincamos de “faz de conta”: fazemos a barba, nos vestimos e nos maquiamos como o papai ou a mamãe.

Aos poucos vamos adquirindo nossa própria personalidade. Mas, se não nos sentimos valorizados por ninguém ao nosso redor, poderemos nos identificar com alguém que julgamos ser mais importante do que nós e nos tornarmos seus seguidores, sem que tenhamos consciência disso.

Exemplo:

  • A menina coloca o sapato alto da mãe e se maquia como ela. O menino usa o aparelho de barbear do pai. Nós usamos a camisa do nosso time, da nossa Igreja.

Negação

Refere-se à negação de sentimentos, percepções e ideias que se fossem admitidas por nós, nos causaria grande sofrimento, para que isso não aconteça, nós o negamos.

Exemplo:

  • Quando todos percebem que uma pessoa está entrando no “mundo das drogas”, mas o pai, a mãe, a esposa, o marido, não percebem… Ele se recusa a aceitar a verdade, para não sofrer.

Conclusão sobre os Mecanismos de Defesa

Desse modo, deixamos aqui uma noção do que se constitui o mecanismo de defesa. São basicamente mecanismos inconscientes de nossas mentes para lidar com os conflitos que passamos. Eles aparecem das mais variadas formas, como vimos acima.

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