Freud Explica? Entenda o Significado desta Frase

Quem nunca se deparou com a frase “Só Freud explica!” ou “Nem Freud explica!”? Esse é um  jargão que está entre os mais populares. Ele é falado até mesmo por quem nem mesmo ouviu falar do tal “Freud”. Dentro de um contexto reflexivo, de muitas indagações suscitadas pelos estudos deste módulo, também me trouxe essa questão. Afinal, será que Freud ainda explica? 

A busca pela resposta

Fomos percorrendo os caminhos que firmaram as bases da Psicanálise. E nesse percurso nos deparamos com o seu criador “Sigmund Freud”. Trazemos para abrir essas considerações palavras do próprio Freud: 

“Nunca tenha certeza de nada, porque a sabedoria começa na dúvida”.

Essa mente instigante o direcionou desde muito jovem. Podemos dizer que uma alma inquieta desbravou os limites das cátedras de uma ciência eminentemente dogmática de sua época.

Quando nos aprofundamos nessa vertente, podemos de fato confirmar que os alicerces da Psicanálise se confundem com a própria história de Freud.

A história de Freud e da Psicanálise

O cenário mundial, onde a teoria de Freud foi construída, era de profundas mudanças. Com instabilidade política evidente e o confronto entre as forças da burguesia patriarcal. Além dos novos valores advindos da expansão industrial.

Viena, berço de toda vivência, de Freud estava mergulhada nesse contraste em meio a lutas políticas constantes. Era a imagem das relações paradoxais dessa época entre a predominância de valores arcaicos da sociedade burguesa e da modernidade que já invadia os meios sociais, culturais e intelectuais da época.

Em termos filosóficos, a corrente filosófica iluminista dominava o pensamento do momento. A filosofia preconizava a importância da razão e colocava nas ciências naturais a solução para os problemas humanos e para o progresso da humanidade.

Encontramos, então, Freud. Um neurologista que buscava alívio dos sintomas que atingiam o físico dos seus pacientes neuróticos. No entanto, a cura, ou ao menos o alívio dessa sintomatologia, estava para além dos limites do corpo. Então, foi assim que Freud desbravou uma nova estrada, ainda não percorrida pela ciência da sua época.

Freud explica o que ainda nem era pensado

Foi a sua inconformidade frente à falta de postulados médicos que dessem conta de solucionar esses casos que o levou a perceber que havia então outra lógica operando na estrutura psíquica humana. Assim, indo além do consciente, que o conduziu ao cerne das bases psicanalíticas: o inconsciente.

Ao encontrá-lo, sua conduta investigativa foi aprofundando os meandros da mente e trazendo, através de seus estudos, todo o alicerce que constitui as bases dessa nova ciência chamada “Psicanálise”. Freud, em muitos momentos, usou dos “escuros” de sua própria alma para aprofundar sua teoria.

Com a publicação de sua primeira obra “A Interpretação dos Sonhos”, no início de 1900, Freud já prenunciava a sua trajetória.

Como Freud explica as doenças psíquicas?

Ademais, aquilo que não era evidenciado ou comprovado cientificamente não tinha valor nos meios da medicina. Porque ela era centrada totalmente em bases biológicas e, no caso das doenças nervosas, elas eram desconsideradas por não poderem ser mensuráveis. O fator psíquico, na maioria das vezes, acabava ocupando a esfera do misticismo, o que revela as lutas que Freud haveria de travar. 

Desde seus estudos com Charcot sobre a hipnose e sua ação com os pacientes histéricos, isso na época em que a ciência era meramente positivista, ou seja, não tinha aceitação acadêmica à parceria com Breuer, foi construindo suas bases teóricas. 

Das práticas de hipnose, da associação livre, da teoria das pulsões. Além da estrutura psíquica, do complexo de Édipo, dos casos como o de “Anna O.”. Todo um percurso que rompia muitas “certezas” de uma ciência essencialmente baseada na comprovação, suscitou fortes e implacáveis resistências.

Freud e seus conceitos

Com suas tópicas principais, Freud possibilita a compreensão dos “guardados da alma”, que até então não eram identificados. Sua primeira tópica trata do consciente, pré-consciente e inconsciente. Sua segunda tópica trabalha com Id, Ego e Superego. 

Além disso, Freud ainda trata de conceitos importantes, como libido e complexos de Édipo e da castração. Essas premissas são importantes para analisar sentimentos que gravitam em uma órbita desconhecida e são somatizados pelos pacientes.

O que é que Freud explica?

Assim, podemos nos perguntar: afinal o que é que Freud explica? Então, vamos nos encontrar com a sua teoria que deu sentido àquilo que ronda em torno de nós e que nem nos damos conta. Mas que é sentido em nosso íntimo e, muitas vezes, em nosso físico.

Com ele, vamos aprender mais das tristezas, raivas e dores. Do nó na garganta, da angústia, sobre a nossa relação com a vida e com a finitude, que vivenciamos sem conseguir explicá-las.    

No entanto, as explicações de Freud não são respostas tácitas muitas vezes esperadas, mas um convite a uma viagem interior em busca de si mesmo.

Ele mesmo percorreu sua trajetória, fez questionamentos, ouviu e penetrou na história de seus pacientes. Fazendo com que as palavras ditas por eles mesmos fossem sendo conectadas e ganhassem sentido. E, assim, os conduzissem às respostas buscadas e a libertação de suas algemas.

Os estudos de Freud

Na verdade, Freud revolucionou conceitos firmados pela ciência de sua época com suas obras inspiradas em suas pacientes e em artistas e pensadores que admirava. Por exemplo: Shakespeare, Cervantes, Emile Zola, etc.

Além disso, trouxe a centralidade das indagações sobre o mundo interno que ficava no mundo de fora, no “outro”, para a consciência das atitudes dos próprios pacientes. Além da força das escolhas que fazem para que, conscientes desse processo, possam assumir o protagonismo de seus passos e ressignificá-los.

Freud teorizou o inconsciente, descobriu o lugar onde colocamos a “poeira embaixo do tapete”. E, com sua proposta analítica, fazia uma varredura, trazendo o ”escondido” para o consciente.

Talvez mais do que explicar, ele revelou a chave para abrir os compartimentos não acessados da alma e fazer entrar o sol nesses “escuros”.

Conclusão

Hoje, depois de tantas correntes dentro da própria Psicanálise às quais Freud abriu caminhos, seja pelo confronto, pela apropriação ou pela ressignificação de suas ideias, podemos concluir com certeza, que, realmente, “Freud ainda explica.”

Não há caminho psicanalítico que não dialogue com seu criador. E que a partir dele nos redimensione suas próprias condutas psicanalíticas.

Sem a coragem de desbravar esse “lugar” desligado da consciência povoado de imagens e padrões, perpassado por discordâncias, não seria possível a abertura de tantos horizontes na arqueologia da psique. E, como ele mesmo concluiria: “Finalmente eu consegui, mas a luta ainda não terminou”.

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O artigo presente foi escrito pela aluna do curso de Psicanálise Clínica Cecília Aparecida Xavier. Exclusivamente para o nosso Blog Empatia Humana.

 

 

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