Doenças Emocionais: como enfrentá-las?

Muitas vezes, nós nos deparamos com problemas físicos sem nenhuma explicação, não é mesmo? Uma mancha no braço ou uma dor forte de estômago. Além desses, também sentimos palpitações, sudorese, falta de ar e ânsia de vômito. Essas são características das doenças emocionais.

Você sabe o porquê desses sintomas físicos sem razão aparente? Já sentiu algum outro? Nesse artigo, abordaremos questões relacionadas às doenças emocionais, suas causas e consequências. Continue lendo para descobrir como lidar melhor com essas situações;

O cotidiano e as doenças emocionais

Estamos vivendo em um mundo onde pessoas estão preferindo tomar remédios a vida inteira para não enfrentar seus problemas emocionais. “Anestesiados”, dia após dia, eles cuidam para fazer um bom trabalho, para manter amizades, para aparentar uma perfeição que não existe de uma vida criada para os outros.

O problema é que essas pessoas não sabem o mal que fazem a elas mesmas, pois, como disse Freud:

“Emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem da pior forma mais tarde”.

Somatização: o início da doença

A somatização é quando o corpo manifesta doenças que foram causadas por emoções não resolvidas. Quando não falamos algo que deveríamos e a garganta dói. Ou quando guardamos mágoas e acabamos tendo úlceras e gastrites. Quando sufocamos a raiva e isso nos causa pedras nos rins ou até mesmo um câncer.

Enfim, são tantas as causas e o ser humano é tão subjetivo que devemos, enquanto terapeutas, estudar as muitas possibilidades para poder ajudar de fato um paciente a resolver suas emoções.

Por exemplo: uma pessoa está andando pela calçada quando começa a sentir falta de ar e o coração dispara. Então, ela sente uma forte urgência em ir ao banheiro e sua cabeça não consegue ter pensamentos claros sobre o que está acontecendo.

Ela só sabe que quer sair correndo dali e procurar um pronto socorro pois está com uma forte taquicardia, mas os médicos não encontram nada que possa explicar tudo isso. Muitas vezes, eles não identificam a falta de ar, pois percebem a pessoa respirando normalmente, mesmo declarando que não consegue.

Doenças emocionais causadas pela somatização

Mas o que realmente aconteceu com essa pessoa? Bom, pode ter sido um ataque de pânico gerado pelo transtorno de ansiedade, doença bastante comum nos dias de hoje. Mas ainda podemos ir mais fundo e descobrir que essa pessoa viu seu pai ser atropelado por um carro vermelho.

E, mesmo que ele tenha sobrevivido, toda  vez que ela vê um carro vermelho, sente uma ansiedade muito mais forte. O mais interessante é que essa pessoa não sabe disso. Ela não identifica que é o carro vermelho que desencadeia essa reação exagerada da sua mente. Com isso,  acha que simplesmente sente “do nada” essa reação, não sabendo controlá-la.

A quantidade de sintomas que podem fazer surgir uma desordem que se encaixe na definição de “somatização” é muito ampla. Ademais,  dizer que sua origem está no funcionamento do sistema nervoso pode causar mais problemas do que tentar localizar a causa em partes concretas do corpo.

Doenças emocionais são categorizadas por médicos comuns?

Os manuais com critérios para diagnosticar casos de somatização quase sempre incluem a condição de que esses sintomas não podem ser explicados satisfatoriamente por outro transtorno ou doença. As somatizações são difíceis de explicar de maneira isolada,  mas faz tempo que se começou a estudá-las e a documentá-las.

Por isso, é normal que, durante um tempo, associassem a somatização com o que a psicanálise conhece como histeria. Hoje, alguns círculos acadêmicos dizem que as somatizações são a consequência de problemas psicológicos que lutam para sair do inconsciente.

Lipowski propõe que a somatização:

“É uma tendência que o indivíduo tem de vivenciar e comunicar suas angústias de forma somática, isto é, através de sintomas físicos que não têm uma evidência patológica, os quais atribui a doenças orgânicas, levando-o a procurar ajuda médica”.

A tecnologia e suas consequências

O avanço da tecnologia está sendo um grande aliado no processo de tratamentos, pois antigamente não existia tanta informação como hoje em dia, e as pessoas viviam na ignorância.

É claro que a quantidade e a velocidade da informação também pode ser um problema causador de transtorno de ansiedade. Mas o fato de a informação estar disponível faz com que o processo de tratamento psicoemocional seja mais procurado por aqueles que precisam.

Já se vê, hoje em dia, médicos e enfermeiros se informando mais sobre assuntos psicoemocionais. Pois o primeiro desafio na relação médico-paciente acontece quando a investigação inicial não identificou a doença. Por exemplo, um paciente apresenta dores de cabeça frequentes ou enxaqueca e os exames não apresentam nenhum fator causador. A conclusão do médico costumava ser: “você não tem nada”, “está tudo na sua cabeça”!

Este tipo de observação pode provocar revolta, descrédito ou sentimento de rejeição, e aumentar ainda mais os sintomas e a angústia do paciente. Junto disso, sua convicção de estar doente colide com o julgamento convencional e objetivo do médico sobre o que é saúde ou doença. Quando isso ocorre, o paciente costuma achar que o médico é incompetente ou desinteressado, e que deve procurar outro profissional.

Como médicos e terapeutas devem lidar com as doenças emocionais?

David Servan-Schreiber comenta:

“Os médicos devem compreender que o conceito de somatização está bem além do domínio da mente racional do paciente e, portanto, além do modo habitual da medicina de entender a doença”.

Com isso em mente, os médicos devem sentir-se confortáveis em fazer uma declaração, como: “os resultados de meu exame e dos testes que fizemos mostram que você não tem doença que coloque sua vida em risco. No entanto, você tem uma afecção médica séria e que causa comprometimento, a qual eu vejo frequentemente e que não é completamente entendida. Embora não exista tratamento que possa curá-lo completamente, há numerosas intervenções que podem ajudá-lo a lidar com os sintomas melhor do que já tem feito até aqui”. 

Esse tipo de abordagem tranquiliza o paciente, reconhecendo o sofrimento e as limitações do tratamento, ao mesmo tempo em que evita a rejeição. O próximo passo seria encaminhar esse paciente para um tratamento com profissionais que atuam no desenvolvimento psicoemocional. Com isso, o paciente obterá uma melhoria significativa no sintoma e também no fator causador do problema.

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O texto presente foi escrito por Natália Giacomini Dall’Agnol, Aluna do curso de Psicanálise Clínica.

 

1 Comentário

  • Muito interessante esse tema a ser estudado. Sou professor de arte e procuro aplicar a arte na aula de forma que leve o aluno a enxergar suas emoções. Vou estudar e me aprofundar.

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