Depressão Pós-parto e como a Constelação pode ajudar

O período gestacional é um momento de intensas mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais para a mulher. Seu ritmo de vida muda, ela se prepara para a vinda do bebê. Durante esse período, a mulher pode ter depressão pós-parto. Entenda como a constelação pode ajudar nesse caso.

Por via de regra, a mulher cria, em seu mundo imaginário, o bebê dos sonhos. Perfeito, fácil de  gostar, onde projeta todos os seus desejos e expectativas sobre a gravidez, parto e pós parto. Após o parto, segundo Maldonado (1997) a mulher se encontra em uma condição de instabilidade emocional, tendendo a exibir comportamentos eufóricos e depressivos.

Estes comportamentos são frutos de sua experiência real de parto, de seu retorno ao lar. De como seu contexto social reage ao evento e de seu primeiro contato com o bebê.

A depressão pós-parto

Ainda de acordo com Maldonado (1997), algumas mulheres encontram dificuldade em gostar, não do bebê ideal, mas de seu bebê real, nas condições biopsicossociais reais. Com privação de sono, desenvolvimento de rotina voltada quase exclusivamente ao cuidado do bebê, totalmente dependente dela.

Assim, com a perda da atenção voltada para ela, como grávida, enfrentando incertezas sobre a gravidez em si, sobre sua capacidade de cumprir aquele novo papel da maternidade e atender às cobranças sociais que envolvem o contexto. Então a puérpera pode desenvolver então a chamada depressão pós-parto (DPP).

Sintomas da depressão pós-parto

A DPP é uma síndrome psiquiátrica, que caracteriza-se como uma condição de tristeza profunda, com a presença dos seguintes sintomas:

  • choro fácil,
  • náuseas,
  • anorexia,
  • abatimento,
  • distúrbios do sono, principalmente insônia inicial,
  • pesadelos,
  • falta de libido,
  • ideação suicida,
  • desalento, mesmo em situações que supostamente evocariam felicidade e que em casos mais graves, pode evoluir para uma psicose puerperal.

Isso pois há um acentuado prejuízo no estabelecimento do vínculo mãe e filho, em consequência da sintomática da síndrome. Está inscrita no âmbito dos transtornos psíquicos no puerpério, apresentando-se geralmente após as duas primeiras semanas do parto.

De acordo com o Ministério da Saúde, a incidência é de 25% de mulheres acometidas, no Brasil. É importante citar que a DPP atinge uma porcentagem de homens também. Assim, como há mudanças de comportamento, cognitivas e emocionais, que vão surgindo até chegarem a um limiar, podem ser percebidas pelas pessoas ao redor e devem ser encaradas com a seriedade devida e a busca por um tratamento deve acontecer com o máximo de precocidade possível.

Tratamentos para a depressão pós-parto

Alguns tratamentos convencionais são eficazes e comummente usados para a depressão pós-parto. Pode-se citar o acompanhamento com uma profissional psicóloga. São diversas as abordagens, a de mais rápida eficácia para a depressão geralmente é a terapia cognitivo-comportamental).

Assim, o acompanhamento com uma médica psiquiatra (tratamento alopático, medicamentoso) e, em casos mais extremos, uso da eletroconvulsoterapia. O tratamento em si segue o protocolo aplicado para pacientes com depressão. Atentando-se ao fato de que o uso de medicamentos deve seguir restrições, pois os psicofármacos tendem a serem excretados no leite materno.

Além disso, a indicação deve ser acompanhada. Isso já que o aleitamento é um momento importante para o estabelecimento e fortalecimento do vínculo mãe-bebê. A abordagem psicoterapêutica vai atuar em busca de uma construção de novas estruturas, mais adequadas, para que puérpera e familiares façam um planejamento mais efetivo para lidar com a nova realidade. A eletroconvulsoterapia só deve ser utilizada como recurso de tratamento em casos extremos, quando não há resposta a nenhum outro tratamento.

Como a constelação pode ajudar na depressão pós-parto

Ainda citando possíveis tratamentos, pode-se identificar questões pertinentes na história de vida da puérpera acometida de DPP. Essas questões podem ser trabalhadas segundo a terapêutica das Constelações Familiares. Exemplificando o uso da Constelação, uma mulher jovem, primípara, casada, que após uma gravidez planejada, aparentemente sem intercorrências, desenvolve a DPP duas semanas após o parto.

Assim sendo, ela procura auxílio do terapeuta Constelador. Depois da indicação de sua psicóloga, pois na psicoterapia surgiram algumas questões familiares que poderiam ser vistas também através das Constelações Familiares.

Dessa forma, ao acessar o campo da mulher, o terapeuta percebe que a irmã mais velha da mesma faleceu no parto ainda adolescente, quando a paciente ainda não era nascida. O bebê também veio a falecer e a família o excluíra do sistema, não mencionando sua existência, gerando então uma necessidade de compensação por essa exclusão, em busca de reestabelecer a ordem.

O que a Constelação faz

A cliente, a mais nova na família, passou a compensar essa exclusão. Esse dano sofrido pela irmã e pela sobrinha, compensando a injustiça feita à sua irmã e à sua sobrinha. Sentindo-se indigna de gerar uma vida e do direito à maternidade e à relação mãe e filha, já que isso foi negado às duas mulheres de sua família e que, ao invés de tornar-se mãe, ela deveria ter incorporado o destino delas.

A Constelação permite que, trazendo à luz os emaranhamentos, a cliente perceba para onde olha seu amor (irmã e sobrinha). Como as leis da hierarquia, pertencimento e equilíbrio podem ser reaplicadas. A compreensão do próximo passo a ser dado para que supere a DPP, não assumindo mais o destino e a dor de suas familiares, vivenciando a maternidade de forma mais saudável.

Conclusão

Portanto, conclui-se que a depressão pós-parto é um transtorno psiquiátrico sério e tratável, que envolve não somente a puérpera, como todo o seu sistema familiar e a paciente encontra apoio terapêutico efetivo ao aderir a tratamento médico, psicológico e também terapêutico com o uso da Constelação Familiar Sistêmica.

Caso tenha achado o texto interessante, compartilhe nas redes sociais. Deixe também um comentário dizendo o que pensa do tema.

O curso http://www.constelacaoclinica.com/ é completamente online, cheque ele caso tenha interesse em aprender mais sobre constelação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *