Universo infantil, brincar e suas infinitas possibilidades

universo infantil

O universo infantil representa para a criança uma linguagem própria de conexão com o mundo e a chance de desenvolver habilidades essenciais para um desenvolvimento integral. Brincadeiras como Correr, pular etc. O que está por trás do brincar? A partir deste universo criado pela imaginação das crianças, competências importantes são aprendidas para a vida. Brincar livre traz a oportunidade de desenvolver relações, conviver com o diferente, estimular a experimentação. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo a seguir:

 

O universo infantil

Ao longo de vários anos como educadora e também como mãe, tem sido possível observar a importância do brincar para o universo infantil. É notável que a brincadeira cria uma excelente oportunidade de aprendizagem. O ato de brincar permite que a criança experimente o mundo e suas infinitas possibilidades.

Ela cria, elabora suas falas, posturas, ações e reações diante de todo um contexto por ela imaginado. É uma forma natural de conhecer a si mesma, o outro e o que há em sua volta. A criança explora o ambiente, testa ideias, representa papéis, e muitas vezes, sem noção do perigo, até corre riscos, machucando-se ou machucando alguém.

 

Universo Lúdico

Em seu universo lúdico, ela é capaz de repetir a mesma brincadeira inúmeras vezes, tirando conclusões, modificando suas ações, perdendo ou ganhando, rindo ou chorando, mas adquirindo experiências a partir de suas vivências.
Então, é correto afirmar que através do brincar a criança desenvolve suas capacidades cognitivas, motoras e afetivas.

Infelizmente, muitos pais desconhecem o valor da brincadeira para os seus filhos, acreditando que o brincar seja somente um ato recreativo, diversão. A falta de esclarecimento, não os permite reconhecer o precioso papel da ludicidade no ambiente escolar, e também fora dele.

 

O Direito da criança

Tamanha é a importância do ato de brincar que a Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas (1959) e firmada pela Convenção dos Direitos da Criança (1989), enfatizou: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantirem a ela o exercício pleno desse direito.”

Esse direito também é reconhecido pela legislação brasileira, tanto na Constituição Federal (1988), artigo 227, quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), artigos 4º e 16; embora saiba-se que infelizmente ainda não são oferecidas as condições, para que esse direito seja exercido de forma plena por todas as crianças.

Ainda tratando-se do ato de brincar, há também uma outra perspectiva que vai além do aspecto recreativo e pedagógico, a visão clínica. A psicanálise vem reservando um espaço para o estudo deste ato, onde teóricos renomados como Sigmund Freud, Melaine Klein e Donald Winnicott, também o utilizaram como instrumento de avaliação e intervenção, acompanhando o desenvolvimento emocional do infante.

 

Atividade lúdica é educativa

Destacando assim, a atividade lúdica como uma forma de expressão de desejos, traumas, e elaboração de conflitos.
Foi Sigmund Freud, médico neurologista e psiquiatra, criador da psicanálise, que deu início a análise infantil demonstrando que os métodos psicanalíticos podiam ser aplicados também a crianças pequenas.

O primeiro caso clínico não foi observado diretamente por Freud, e sim pelo pai da criança que foi orientado e seguiu a linha geral de tratamento por ele determinada. De acordo com Freud, quando a criança brinca ela cria um mundo próprio, ou organiza as coisas do seu mundo do jeito que lhe agradam.

Ela leva a brincadeira a sério e investe sua emoção nela. Freud afirma que, enquanto brinca a criança repete tudo o que lhe causou forte impressão na vida real, então ela ab-reage à força dessa impressão, tornando-se senhora da situação.

Já Melanie Klein, psicanalista austríaca, contemporânea de Freud, modificou as técnicas clássicas desenvolvendo assim, uma técnica específica de análise de crianças. Esse novo método baseado na ludicidade, foi chamado de técnica do brincar. Comparada ao método da análise de adultos, os princípios permanecem os mesmos, seguindo as mesmas normas e logrando os mesmos resultados.

 

Psiquismo Infantil

O que muda é apenas o processo, que foi adaptado ao psiquismo infantil. Klein observou que os jogos, brincadeiras, encenações, desenhos, e tudo o que as crianças faziam, podiam ser vistos como o falar do adulto (associação livre). O objetivo desta técnica, é dominar aquilo que consome a sua energia psíquica, causando-lhe angústia e sofrimento.

Ao contrário de Freud, Klein atribuiu maior importância às primeiras fases do desenvolvimento da criança. Afirmou, que os primeiros estágios da vida psíquica eram muito mais importantes do que Freud havia declarado em seus estudos.
Melanie Klein acaba indo além da psicanálise, e seus estudos tornam-se pertinentes à outras áreas, inclusive à educação e no que diz respeito ao desenvolvimento infantil.

Donald Winnicott, médico pediatra inglês, foi muito influenciado por Freud e Klein, desenvolvendo um olhar voltado às crianças, principalmente em sua relação com os pais. Para ele, o brincar começa na relação mãe-bebê. A tranquilidade surge das experiências de confiança, e é o alicerce para a atividade criativa que se manifesta na brincadeira. Para Winnicott, é através do brincar que a criança e o adulto experimentam liberdade para criar e criar-se.

 

Conclusão: o Universo Infantil

O brincar torna-se um espaço onde toda a potência de um indivíduo é mobilizada em busca de uma concretização não obsessiva. Winnicott, ressalta a necessidade de respeitar o ritmo, o tempo individual da criança; sugerindo ao terapeuta que o espaço do brincar tenha mais importância do que o momento das interpretações.

Assim, comparando os estudos de Sigmund Freud, Melanie Klein e Donald Winnicott, é possível perceber que mesmo com a diversidade de ideias e pensamentos, todos concordam que é através do brincar que as crianças simbolizam, falam e representam aquilo que as incomodam, revelando e elaborando os traumas que ocorreram durante o seu desenvolvimento.

Vislumbrando a gama de horizontes, que um ato aparentemente tão simples e tão natural, como o brincar é capaz de revelar, reconhece-se então a sua importância. Seja no ambiente doméstico, escolar ou clínico, o brincar é a linguagem do universo infantil que nos permite compreender a maneira como a criança vê o mundo, e como ela se sente em relação a si mesma e ao que a cerca.

O texto Universo infantil, brincar e suas infinitas possibilidades foi elaborado por Valeria Monteiro exclusivamente para o Portal Empatia Humana. Não deixe de ver os próximos posts sobre assuntos relacionados.

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