Sonhos: uma visão psicanalítica

sonhos

Produções da mente humana, os sonhos vêm através dos tempos ganhando os mais diferentes tipos de interpretações. Por exemplo, como premonições, contatos com o sobrenatural, realizações de desejos, eventos elétricos no cérebro etc. Assim como qualquer objeto passível de estudo, o significado dos sonhos depende do contexto cultural, ou do ponto de vista que se adota.

Neste texto, analisaremos os sonhos, seus tipos, motivos e mecanismos através do ponto de vista psicanalítico, criado inicialmente por Sigmund Freud, o pai dessa ciência. Quer saber mais? Então continue a leitura!

A Interpretação dos Sonhos

Publicado em Novembro de 1899, mas com data de 1900, “A Interpretação dos Sonhos” (Die Traumdeutung, em alemão) é um livro do médico Sigmund Freud que abordou o assunto sob uma ótica bastante original para a época.

 Assim, o pai da Psicanálise levou em consideração aspectos até então desconhecidos (ou apenas ignorados) pela comunidade científica da época. Como os processos mentais inconscientes, pré-conscientes e conscientes.

Os sonhos

Para Sigmund Freud, os sonhos são a realização de desejos, advindo de energias psíquicas armazenadas que, utilizando de mecanismos próprios, conseguem “maquiar” seus verdadeiros significados e chegar ao consciente.

Para o pai da psicanálise, os sonhos sempre apresentam dois tipos de conteúdo (latente e manifesto). Assim, é imprescindível relacionar ambos da maneira adequada para se extrair seu verdadeiro significado.

Conteúdo Manifesto 

Toda a “história” que o indivíduo consegue se lembrar (ou não) após acordar chama-se Conteúdo Manifesto do Sonho

Esse enredo, ou filme mental, apenas se mostra à pessoa após ser submetido a um conjunto de transformações que adequam seu conteúdo para que possa alcançar o Consciente (Cs). Assim, minimizando o sofrimento do sonhador.

Conteúdo Latente

Sob as camadas conscientes, esconde-se o verdadeiro significado. Ou, a verdadeira mensagem do sonho. Como já foi dito, esse significado não pode apresentar-se ao indivíduo sem estar devidamente transformado, sob a implicação de causar-lhe angústia.

A formação do conteúdo latente do sonho dá-se pela soma de três partes: 

  1. Impressões sensoriais noturnas;
  2. Pensamentos relacionados às atividades do dia;
  3. Impulsos do Id.

Impressões Sensoriais Noturnas

São todas as informações/estímulos que nossos sentidos podem captar no período noturno, ou no período em que o sono ocorrer de fato. Por exemplo, sons, cheiros, sensações táteis, alterações de temperatura ou até informações provenientes do próprio organismo do indivíduo, como dores ou sensações relacionadas ao fisiologismo.

Pensamentos relacionados às atividades do dia

Qualquer pensamento, lembrança ou sentimento advindos dos acontecimentos do dia pode influenciar na construção do sonho.

Impulsos do Id

Essa parte do sonho latente pode ser composta por uma ou mais pulsões do Id. Pulsões tais que foram devidamente reprimidas de acessarem o Consciente (Cs). Segundo Sigmund Freud, os impulsos do Id constituíriam a maior parte do conteúdo latente do sonho.

O Trabalho do Sonho

Também conhecido como Labor do Sonho, ele consiste no conjunto de transformações/adequações que o conteúdo latente precisa sofrer para que se possa apresentar ao indivíduo como conteúdo manifesto.

Assim, essas transformações/adequações devem ocorrer para que não causem angústia (sofrimento) ao indivíduo quando se apresentarem ao Consciente (Cs). 

Os mecanismos de transformação/adequação do sonho são citados a seguir.

Dramatização (ou concretização)

Nos sonhos, presenciamos imagens, ou seja, não há possibilidade de visualizarmos ideias abstratas. Para que ideias abstratas possam apresentar-se no momento onírico elas precisam passar pelo processo de Dramatização (ou também chamado de concretização). 

Por isso, uma pessoa que, por exemplo, tem o desejo de mudar os rumos da sua vida, pode sonhar que está viajando para outro país onde tudo se apresenta como belo e novo.

Condensação

No conteúdo manifesto do sonho pode ocorrer a fusão de vários elementos em apenas um. Essa característica do trabalho onírico pode criar elementos que, a priori, parecem não possuir significado algum.

 Por exemplo, uma pessoa no sonho pode apresentar-se com as roupas do indivíduo A, mas com o sorriso do indivíduo B e, estranhamente, ser chamada pelo nome do indivíduo C.

Desdobramento

A tarefa de Desdobramento consiste no oposto da Condensação. Ou seja, uma pessoa/objeto do conteúdo latente pode apresentar-se como dois ou mais elementos no conteúdo manifesto.

Deslocamento/Projeção

Esse processo consiste em deslocar energia psíquica de um elemento que é considerado importante para outro que possui menos importância. Assim, permitindo assim sua passagem do conteúdo latente para o conteúdo manifesto.

 Um indivíduo que nutre sentimentos de agressão por um familiar pode sonhar que está chutando um cachorro, por exemplo.

Tipos de Representação

Oposto

Ocorre quando o elemento que surge no conteúdo manifesto do sonho é justamente o oposto daquele que existe no conteúdo latente.

Ou seja, um sentimento como o amor pode aparecer no sonho como ódio. A vontade de conseguir algo pode apresentar-se como o ato de desfazer-se ou afastar-se desse algo e etc.

Nímio

Nesse tipo de representação, uma ideia ao ser transposta do conteúdo latente para o conteúdo manifesto pode deslocar sua energia para detalhes considerados mínimos.

 Por exemplo, o desejo de terminar um relacionamento pode mostrar-se no sonho como algo simples e pequeno como dizer “tchau” para o cônjuge.

Simbólica

Na representação simbólica, uma ideia pode ser transformada em um símbolo, muito semelhante ao Deslocamento.

Conclusão

Uma atenção especial deve sempre ser dada aos sonhos do paciente. Pois, como se viu, estes nos revelam uma via de acesso direto ao subconsciente. Assim, o terapeuta deve atentar-se ao conteúdo relatado e aos significados trazidos pelo paciente.

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