Pandemia e as implicações para a nova geração

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Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de pandemia e as implicações para a nova geração, diversas tentativas de conter a disseminação do vírus foram propostas e implementadas, como, por exemplo, o isolamento social da população. A baixa atividade humana dos últimos meses gerou uma série de consequências e impactos, e, no tangente ao meio ambiente, muitas das mudanças foram positivas.

 

A pandemia na atualidade

Se o excesso de informação está incomodando qual seria a melhor alternativa? Intoxicação, esse neologismo que está tão em voga. Seria possível uma “intoxicação” com a informação? Importante definir o que seria informação, pois diariamente está havendo um bombardeamento de fragmentos de informação, e esses fragmentos tem um quê de inacabados, mal resolvidos, que nos mantém em suspensão, em tensão o tempo todo, a todo o tempo.

Nas conversas, nas redes sociais, nos meios de informação, a cada x tempo, uma nova peça desse quebra-cabeça que não sabemos nem se é de mil ou dez mil peças, quiçá ainda mais que isso. A todos esses fragmentos estou chamando de informação.

 

Qual a opinião dos profissionais sobre a pandemia?

Para Contardo Calligaris escritor e psicanalista, a informação tem a capacidade de trazer uma forma de simbolização para o outro, daquilo que a princípio é impossível de ser simbolizado. Dar um rosto para esse “mal”, que no momento se chama COVID-19. Essa pandemia, não tem rosto, apesar de ter o símbolo de um vírus que a maioria da população que não trabalha visando a lentes microscópicas, nunca viu.

A possibilidade de simbolizar isso pode se tornar algo positivo. Para Christian Dunker escritor e psicanalista, a incerteza pode ser mitigada pela informação, o problema é que a informação acaba se tornando pau pra toda a obra, no sentido que, as pessoas estão utilizando informações sobre a pandemia, para lidar com as suas
próprias neuroses, seus próprios dilemas internos, suas questões não resolvidas.

Para Leandro Karnal historiador e professor, não existe excesso de informação em si, mas existe excesso de informação ruim. Para Karnal, falta criticidade para com as informações que recebemos.

É importante duvidar das informações que recebemos. Não aceitar tudo como verdade absoluta. Quando pequenos, alguns de nós tiveram medo do bicho-papão, medo do escuro. Isso nada mais é do que o medo do desconhecido, medo do não
palpável, não palatável, do indizível.

O bicho papão agora é o covid-19 e aqueles de nós que não se lançaram de encontro ao escuro, para verificar se de fato existia algo ali, ou não, estão goela a baixo recebendo doses paulatinas, ou ainda cavalares de informações
vídeos e notícias sobre o assunto. Porém a questão é que talvez não estivéssemos prontos para enfrentar ainda os nossos próprios bichos internos.

Quando Anna O. fala sobre talking cure e dá nome ao que seria o mote da psicanálise que é a cura pela fala. Era proposta uma posição de falar sobre aquilo que te causa sofrimento, de falar sobre aquilo que te traz desconforto. Nos deparar com esses conteúdos que hora são recalcados devido à dificuldade de lidar com esses afetos.

Quando falamos sobre essas coisas, nos é proposto revisitar essa eterna atualização de conteúdos reprimidos a nível inconsciente, dos quais não demos conta. Essa posição que tem como função básica nos libertar, nos “curar”, em alguma medida nos ajudar, segue uma série de condições sem as quais, falar não é tão terapêutico.

 

O isolamento social

Atualmente é o ser humano que está sendo colocado numa situação de prisioneiro em seu próprio lar e Freud mesmo já tinha suscitado essa ideia quando o Eu, não é mais o senhor de si mesmo. Não somos mais e nem nunca fomos, senhores do nosso inconsciente e mais claramente vemos agora que não somos do nosso consciente também.

As nossas casas não são mais lugares de alívio e de descanso. Os nossos dispositivos móveis, que eram janelas que poderiam nos conectar com diversas pessoas do mundo inteiro ou simplesmente nos tirar dessa realidade difícil de suportar do nosso cotidiano, podem agir tanto a favor como contra o nosso próprio bem estar.

Nesses momentos seria o movimento natural de alívio do desprazer, uma distração, um alívio daquilo que afeta, porém de onde vem esse alívio? Na sua própria casa não existe descanso, na sua janela para o mundo pop-ups o tempo todo te lembrando que as coisas não estão bem, mesmo se escondendo nessa pequena janela, as informações são jogadas o tempo
todo.

Algumas verdadeiras, outras são fake News. Onde não dá pra saber ao certo se é menos pior ficar com a verdade ou com a mentira. Uma outra alternativa de alívio desse desprazer seria um exercício físico, uma caminhada na rua, no parque, no lago, ida para a praia, uma trilha.

Nada disso está acessível no momento sem que a pessoa se sinta ansiosa de sair na rua, insegura, com medo. Quando Freud abandona a hipnose e direciona seu estudo para a associação livre, tem-se por princípio básico de que o aparelho psíquico quer aliviar essa energia retida pelo recalque. Porém esse falar em direção ao gozo precisa ser um mover interno e não esse mover externo como a atual conjuntura nos impõe.

 

Conclusão

A coisa mais importante é que agora não temos certeza de muita coisa, se o excesso de informação ou uma forma de obsessão pela informação tenha tomado conta do seu ser, e as ansiedades de viver a vida neste ano estejam causando sofrimento, seria importante reavaliar isso. Para Celso médico do século XVI cita que a diferença entre o remédio e
o veneno é a dose. Será?

O artigo Pandemia e as implicações para a nova geração foi elaborado por André Santos Araújo. Gostou? Fique ligado nos nossos próximos posts.

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