É dormindo que se desperta

é dormindo que se desperta

Em que consiste dormir? Dormir e desejar não são necessariamente antinômicos, já que o sonho está a serviço do desejo do dormir. Alguém dorme para sonhar e se desperta para continuar sonhando, postulou Freud, nomeando o sonho como guardião do dormir. Veja mais detalhes sobre esse assunto no artigo a seguir.

 

É dormindo que se desperta

Conta-se uma história de que o Salvador Dalí, costumava comer ouriços do mar cobertos de chocolate antes de dormir na tentativa de estimular os sonhos que inspirariam sua arte. A história parece engraçada, mas seria verdade? E se verdade, será que temos como influenciar esse processo do inconsciente chamado sonho?

Essa história pode ser verdade ou pura lenda, mas parece que há um fundo de verdade. Estudiosos de todas as partes do mundo tem investido tempo no estudo dos sonhos. Perguntas como por que sonhamos, seus significados, causas e funções tem gerado muita curiosidade e discussões. Basta jogar a palavra sonho no buscador do Google que aparece uma vasta lista de resultados, que vão desde a definição aos seus significados.

Escritos que abordam o tema também são bastante diversificados. Um bastante conhecido é o “O oráculo da noite: A história e a ciência do sonho”. Neste livro, o renomado neurocientista Sidarta Ribeiro responde às perguntas sobre o que é afinal o sonho? Para que ele serve? Quais os seus significados.

O autor responde essas e muitas outras questões sobre um dos grandes enigmas da humanidade ao recuperar narrativas literárias e históricas do mundo todo. Ele mostra como os sonhos eram importantes às civilizações antigas, como no Egito e na Grécia, situando-os no cerne da ciência e da política, ou como as culturas ameríndias preservam alguns dos exemplos mais bem documentados de profecias oníricas capazes de guiar povos inteiros.

 

Sonhos e a psicanálise

Ao mobilizar os principais debates da psicanálise, da medicina, da biologia molecular e da neurofisiologia, O oráculo da noite apresenta uma história da mente humana pelo fio condutor do sonho e após se desperta.

Apesar de encontramos vários conteúdos sobre o sonho, a verdade é que ainda há um mistério muito grande ao redor do tema.

 

Como a interpretação dos sonhos revela quem somos?

O pai da psicanálise Sigmund Freud, ocupou dois volumes (vol. III e IV) de suas obras completas com o tema “ A interpretações dos sonhos “ (1900). Os estudos de Freud foram de grande valia para o entendimento sobre o tema. Há uma ideia de que o de que o sonho seria um caminho satisfatório para a realização de um desejo que se encontra reprimido a nível inconsciente e, por algum motivo, não é/pode ser acessado pelo consciente.

Seus estudos explicam também que embora sejam frutos do nosso inconsciente, as ações que fazemos ou sofremos durante o tempo em que estamos acordados irá influenciar diretamente no conteúdo dos nossos sonhos. Recordações atuais e passadas (na infância) também somarão para o conteúdo a ser sonhado.

 

Como os sonhos se formam?

Para Freud a formação dos sonhos se estabelece por três vieses: Estímulos sensoriais: influência de perturbações tanto do meio externo (barulhos, luz), como do meio interno (sensações respiratórias ou urinárias): Restos diurnos: episódios vivenciados em vigília (estado acordado), nos quais, por qualquer motivação, mostraram-se significativos à subjetividade do indivíduo e Conteúdos inconscientes reprimidos: pensamentos, sentimentos e desejos que se mantêm imersos no inconsciente.

Para o entendimento funcionamento dos sonhos, ainda é necessário que se entenda os sonhos possuem uma organização, funcionamento e linguagem própria. Essa organização, funcionamento e linguagem própria faz com que embora o sonho seja inconsciente sua estrutura possa ser explicada e por vezes entendida.

 

Alguém desperta e sonha

É comum irmos para a cama com a ideia de que vamos nos deitar e desligar a mente, desligar os pensamentos para somente descansar. Mas a verdade que nossa mente não dorme, pelo contrário. A mente trabalha enquanto dormimos, funcionando por vezes como se estivéssemos em uma espécie de escola virtual, onde o cérebro tenta resolver os problemas que nos ocupam durante o dia e destravar dilemas que nos atormentam durante a vida.

Pelos estudos de Freud e outros nota-se a importância de se tomar nota dos sonhos todas as noites, por que esse fenômeno do sonho é capaz de trazer uma visão mais profunda da consciência humana, embora fruto do inconsciente, tornando- se instrumento de autoconhecimento e crescimento pessoal.

 

Jung e o papel do sonho

Já o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, baseado na observação dos seus pacientes e em experiências próprias, acredita ser mais abrangente o papel dos sonhos, “que não seriam apenas reveladores de desejos ocultos, mas sim, um meio pelo qual a psique busca o equilíbrio por meio da compensação, o que indica para ao sonhador a necessidade de uma mudança de atitude”.

Outro aspecto importante para Jung é entender como os sonhos auxiliam no processo de individualização.
Os cientistas elaboram algumas análises e explicações sobre o sonho. A Ornirologia que é o estudo dos sonhos, se fundamenta na neurociência e psicologia explica que precisamos sonhar para manter o equilíbrio e o bom funcionamento de nosso cérebro e da nossa psique, embora nos lembremos somente de 10% a 5% dos nossos sonhos.

Sonhar com alguém ou com algo, pode revelar um significado relacionado ao sonhador, envolvendo suas reações, concepções, sentimentos e emoções relacionado aos elementos dos sonhos. Há ainda sonhos bons e ruins. Os sonhos quando ruins demos o nome de pesadelos e eles significariam os nossos medos mais profundos.

 

Conclusão: É dormindo que se desperta

Os bons são creditados por nos trazer além nossos reais desejos, reafirmar e estruturar o nosso aprendizado. Nesse caso, depois de algum aprendizado, ao sonhar o conteúdo aprendido é ainda mais compreendido e fixado.

Há muitos estudos sobre o sonho e diferentes explicações porém, em uma coisa é possível enxergar uma concordância entre eles. A de que muitas vezes através do inconsciente conseguimos perceber a nós mesmos como indivíduo mais dormindo do que acordado.

O artigo É dormindo que se desperta foi elaborado por Elismar de Souza exclusivamente para o Portal Empatia Humana. Continue acompanhando para ler artigos relacionados a este tema.

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