Convivência: desenvolver a Cultura do Convívio

convivência e cultura do convívio

Quando o assunto é convivência, vivemos em um país de mais de 210 milhões de habitantes – o 5° mais populoso do mundo.

E com tamanha diversidade de pessoas e culturas instaladas em um mesmo país, nos deparamos com a triste realidade das mazelas que afetam diretamente a população brasileira.

 

Brasil e suas desigualdades

Temos como exemplo que, 48% da população não possui coleta de esgoto.

35 milhões de pessoas não tem acesso água potável (número próximo da população do Canadá).

59% das escolas do ensino fundamental não possuem rede de esgoto.

E 289 mil pessoas foram internadas por diarreia e doenças da falta de saneamento em 2017 (Dados extraídos do Censo e SNIS 2017).

 

A constituição

Nossa Constituição Federal, prevê que em seu artigo 3°:

  • construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional;
  • erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
  •  promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

 

A aplicação

Temos uma Constituição bem avançada, porém sua aplicabilidade, é insuficiente.

Sabemos de tal complexidade, só não entendemos a falta de políticas públicas e ações civis com mais responsabilidade e dignidade a todos os brasileiros.

 

A mudança cultural

Precisamos de uma mudança cultural, pois implica a ressignificação de valores e costumes enraizados entre nós, decorrentes de diversos fatores históricos.

Como por exemplo, nosso longo período de escravidão, que gerou exatamente a violação de todos os princípios de respeito à dignidade humana.

 

Os reflexos da sociedade escravocrata

Nossa política autoritária, nosso sistema de ensino defasado, elitista e condicionado mais para o moral privada do que para a ética pública.

A nossa passividade com os atos corruptos dos governantes e das elites, bem como, os privilégios ditos de primeira classe ou acima de qualquer suspeita.

Nosso pouco interesse com a violência, exclusivamente quando exercida contra os pobres e os socialmente desassistidos.

Também nosso sistema patriarcal e machista, nossa sociedade racista e preconceituosa contra todos os tidos como diferentes, nossa ausência na participação cidadã e pelo associativismo solidário” (BENEVIDES, M. V; 2001).

 

A dificuldade na convivência

Estamos passando por um colapso nas relações intra e interpessoal.

E não podemos sequer imaginar o não cuidar de si e do outro, seja no ambiente doméstico, escolar e organizacional.

A solidariedade hoje é mais importante do que nunca, todos somos corresponsáveis pelo bem comum.

 

Rompendo com a competitividade para melhor convivência

Precisamos romper as ações estritamente competitivas advindas do século passado que fragmentou ainda mais o elo entre as pessoas.

E trazer um olhar apreciativo que estimule a colaboração, gerando a cultura do bom convívio.

Saber que podemos contar um com os outros.

Ao considerar que somos diferentes em muitos aspectos uns dos outros, precisamos pensar que tolerar a diferença é coexistir na construção de uma sociedade pacífica.

 

Atitudes para uma melhor convivência

Por trás da tolerância entendida desse modo, não há mais apenas o ato de suportar passiva e resignadamente o erro.

Mas já há uma atitude de confiança na razão ou na razoabilidade do outro, uma concepção do homem como capaz de seguir não só os próprios interesses.

E também de considerar seu próprio interesse à luz do interesse dos outros.

Bem como a recusa consciente da violência como único meio para obter o triunfo das próprias ideias” (BOBBIO, N. 2012).

 

Moral

A razão moral por respeito ao próximo, se dá por princípio moral absoluto do respeito ao outro, por ser um dever ético.

Surge conflito entre o princípio moral da coerência que orienta colocar a minha verdade acima de tudo, mas temos como obrigação moral de respeitar a liberdade interior do outro.

 

A relação com a tolerância

Não nos esquecemos que também a boas razões para intolerância, se opondo muitas vezes, às más razões da tolerância.

Ambas, apresentam sentidos positivos e negativos.

A intolerância em sentido negativo inibe que qualquer posicionamento possa ser admitido, opondo-se, assim, à tolerância em sentido positivo, que ampara tudo.

 

Intolerância

Mas não devemos jamais esquecer que os defensores da intolerância se valem do sentido negativo para denegri-la:

  • se Deus não existe, então tudo é permitido.

De resto, foi precisamente essa a razão pela qual Locke não admitia que se tolerassem os ateus.

Os quais, segundo uma doutrina comum naquela época, não tinham nenhuma razão para cumprir uma promessa ou observar um juramento.

E, portanto, seriam sempre cidadãos em que não se podia confiar (BOBBIO, N. 2012).

 

Tolerância na ação para a convivência

A tolerância deve ser praticada, mas não com imparcialidade ou ilegítima caridade.

E sim como um diálogo capaz de estreitar os laços de solidariedade entre as pessoas de uma mesma comunidade.

Outro ponto importante a se observar é a dificuldade de compreensão do espaço público para o espaço privado.

 

Espaço individual e coletivo

Por exemplo, a religião, corresponde à esfera privada ou pública?

Quais comportamentos o Estado deve controlar?

São questões que afloram na medida em que precisa colher a diversidade, sem delimitar mecanismos efetivos de convivência.

Para se tornar um cidadão empático, se faz necessário, compreender o outro, se deve antes estar preparado para dialogar com ele.

 

As instituições

Existirem três instituições que podem contribuir para fomentar esse diálogo:

  • a escola: porque ensina o que é importante;
  • a mídia: porque elabora uma imagem sobre os membros da sociedade;
  • o Direito: porque define o que é aceitável (ADDIS, A. 1997).

 

A inclusão

Uma tarefa imediata de todo Estado é que se fomente o diálogo entre as maiorias e as minorias da sua sociedade, por meio da regulação da escola, da imprensa e do Direito.

De maneira a inserir a participação efetiva das minorias.

O reconhecimento da diversidade cultural, constitui um comportamento ético indissociável do respeito à dignidade humana.

 

Momento de coletividade e convivência

São experiências de redescoberta de mim, do outro e do espaço.

Pessoas tem lentes distintas, por vezes, até opostas.

A Fragmentação é coisa do século passado, a moda agora é integralidade, pois ainda temos chances de vencer os erros do passado.

 

Integração para a convivência

Necessitamos promover a integração dialógica entre todos (sociedade civil e governo).

Cumprindo cada um com sua parte para promoção do respeitando às diversidades culturais, de classe, de raça, etnia, gênero, credo, geracional e expressão das sexualidades.

Que promoverão mais dignidade, respeito a vida humana e engrandecimento da humanidade.

 

Esse texto sobre A convivência: Cultura do Design de Convívio foi criado por Rafael Campos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *